Confiabilidade, rentabilidade e adaptabilidade
Como criar e avaliar alternativas que maximizem a eficiência do seu projeto logístico, na implantação e operação.
Quais são as melhores práticas?
Rafael Kessler
Tempo de leitura: 07 minutos
Confiabilidade, rentabilidade e adaptabilidade precisam estar no centro do seu projeto logístico e da escolha de equipamentos de movimentação e armazenagem. Neste artigo explicamos porque.
Quais são as melhores práticas de projeto e operação?
O que é avaliação econômica de um projeto senão a comparação de cenários e a escolha entre diversas alternativas?
Se a avaliação for bem feita, trará de um lado cenários conservadores e de outro alternativas arrojadas e inovadoras, será acompanhada de análise de riscos e a comparação dos ‘trade offs’ de cada alternativa.
Ao estruturar sua análise econômica, sugiro levar em conta três eixos. Obviamente o financeiro, com os aspectos de custos e lucro, o de disponibilidade operacional da solução, ou sua confiabilidade e robustez e por último de sua versatilidade, ou a facilidade com que se adaptará a requisitos futuros.
Considere para cada eixo as variáveis fundamentais em uma operação logística, que são uso do espaço, segurança e produtividade.
O eixo financeiro deve desafiar o projeto a propor métricas como rentabilidade e custo por m³, distância média percorrida pelo produto processado, número de ordens de pedido processado por pessoa e outras formas de registrar e comparar o desempenho da operação em relação às variáveis fundamentais da logística, o mapeamento de fluxo de valor é uma ferramenta muito útil.
O eixo disponibilidade operacional deve avaliar o grau de especialização da operação, a facilidade de ser replicada para outras unidades, a sofisticação dos equipamentos, sua robustez e os recursos necessários para mantê-la em funcionamento.
O eixo versatilidade compara a configuração da operação com as tendências tecnológicas, com operações de maior e menor volume e avalia a facilidade ou possibilidade de se adaptar a cenários diversos.
Uma operação logística envolve métodos, pessoas, sistemas de controle e informação, prédios, equipamentos de acesso, utilidades, equipamentos de armazenagem e equipamentos de movimentação. Cada um destes fatores está inter-relacionado, e precisa ser escolhido em função do fluxo do material e da frequência das operações.
Avaliação de trade-offs
Identificar os trade-offs entre cada uma das alternativas requer um profundo conhecimento das alternativas disponíveis, inventividade para propor e executar soluções mais adequadas e estimar o impacto de cada uma destas alternativas no cenário que está sendo avaliado.
A análise de cenários deve envolver uma equipe multidisciplinar e experiência suficiente para estimar os impactos de cada uma das escolhas.
Lembre-se que sistemas de controle e informação, e sistemas de inteligência artificial estão limitados a otimizar o fluxo de processamento de atividades, são facilmente replicados, mas não irão modificar fluxos físicos ou seus equipamentos de movimentação e armazenagem. Automação é uma forma de reduzir a interferência humana, mas se limitará a copiar a ‘arquitetura’ física do seu processo logístico.
Se o seu projeto foi bem elaborado, os cenários descritos com riqueza de detalhes e as escolhas tomadas corretamente, incluindo métricas objetivas, seu projeto logístico terá uma ótima base para evoluir e apresentar um diferencial competitivo para sua operação.
A logística brasileira está passando por uma revolução, tanto em sua infraestrutura, que agrega finalmente a multimodalidade ao transporte de longo curso e vê explodir as demandas da ‘última milha’.
No meio destes processos está a intralogística, em pleno processo de atualização tecnológica de sistemas de informação, automação e robótica. Junto a isto vem a hora de repensar os equipamentos de movimentação e armazenagem e a necessidade de criar o CD urbano.
Dominar a matriz de custos e os fatores que a influenciam será essencial para diferenciar os participantes da revolução.